O Padel

O Jogo
O Pádel é disputado sempre em duplas. A bolinha e a quadra são iguais às do tênis. A quadra tem 20m de comprimento por 10m de largura, com paredes nos fundos e parte das laterais. Algumas, mais sofisticadas, utilizam vidro ou blindex no lugar das paredes, permitindo excelente visualização do jogo. O restante é cercado por telas ou alambrados de metal, sendo que o piso pode variar do cimento à grama oficial. O diferencial do Pádel para outros esportes de raquete é a interação das paredes, uma vez que elas recolocam a bola em jogo, o que dá mais emoção e dinamismo à disputa de um ponto. Ainda que comuns, as competições entre o Tênis e o Pádel são evitadas pelos praticantes de ambas modalidades. “São dois esportes diferentes, cada um com suas características. O que posso dizer é que gosto de jogar Pádel e que é um esporte muito divertido, pois a bola não para nunca”, afirma o tenista Fernando Meligeni. Quando praticado por atletas profissionais, o Pádel proporciona espetáculos de destreza e habilidade em ambiente dinâmico e competitivo. Por outro lado, a modalidade cresce cada vez mais como opções de lazer para amadores. Isso se deve ao fato do Pádel ser um esporte de fácil aprendizado e que, inicialmente, não exige condicionamento físico ou técnico muito rigoroso.

A origem do esporte
Por volta de 1890, passageiros de navios ingleses tentaram adaptar a prática Tênis ao espaço de bordo. Esse Tênis de Alto mar, como ficou conhecido no início, era praticado numa quadra de dimensões menores e protegida por telas. Somente em 1924, o Pádel passou a ser praticado em terra, quando o norte americano Frank Beal improvisou algumas quadras nos parques municipais de Nova Iorque. Por essa época, o esporte passou a ser chamado de Pádel Tênis. Em 1969, Enrique Corcuera construiu a primeira quadra de Pádel em um hotel de Acapulco, no México. Foi Corcuera quem definiu as dimensões de quadra e o regulamento que rege o esporte mundialmente. Outro grande responsável pela difusão do Pádel foi o príncipe espanhol Afonso de Hohenlohen. Entusiasmado com o novo esporte, o nobre levou-o para a expansão do Pádel para outros países europeus. Atualmente, o Pádel é organizado e regulamentado a nível mundial pela FIP (Federación Internacional de Pádel), entidade que conta com 15 associados, nos quais se destacam o Brasil, Argentina e a Espanha.

Pádel no Brasil
Devido à influência do México e Espanha, o Pádel difundiu-se mais rapidamente nos países sul-americanos de espanhola. Somente em 1988. o esporte chegou ao Brasil, trazido por uruguaios e argentinos. Em nosso país, as primeiras quadras de Pádel foram construídas nas cidades gaúchas de Jaguarão e Livramento. Em 1991, outros clubes como o Okinawa de Porto Alegre, a Sociedade Aliança de Novo Hamburgo e o Cepel de Pelotas aderiram o esporte. No ano seguinte, foi fundada a Federação Gaúcha de Pádel, a primeira do país, na Sociedade Aliança em Nove Hamburgo. A partir disso, o esporte se difundiu por outros estados brasileiros, com destaque para Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro e Pernambuco. Só na região metropolitana de Curitiba e Litoral Paranaense, existem mais de 50 quadras de Pádel espalhadas por clubes, chácaras, academias e condomínios fechados. Ainda no sudeste, o Rio de Janeiro se apresenta como um dos estados onde o Pádel demonstra maior crescimento. Atualmente, o carioca tem a disposição mais de 20 estabelecimentos para aprender e praticar esse contagiante esporte.

O público do Pádel
Formado predominantemente por estudantes, executivos e empresários, o público do Pádel tem faixa etária de 10 a 60 anos. Embora em menor número, mulheres e crianças têm tido crescente participação como atletas e expectadoras. No Brasil, uma etapa do Campeonato Brasileiro de Pádel mobiliza por volta de 150 duplas em competição, com uma média de público aproximada de 700 expectadores por final de semana. Além de proliferarem em clubes e academias, as quadras de Pádel vêm sendo usadas cada vez mais como opção de lazer nos condomínios fechados.
Um esporte da família
Uma das principais características do Pádel é o seu forte caráter agregador e sociabilizante. “A descontração, o bate papo e as brincadeiras fazem parte dos bons momentos que esse esporte proporciona”, comenta Bozzo Valente. Por agregar crianças, jovens e adultos, o Pádel é reconhecido hoje como o “esporte da família”, uma vez que é comum ver pais e filhos em quadra disputando uma partida. Também são comuns os intercâmbios e torneios entre cidades, o que gera expressivo deslocamento de atletas e famílias em viagem. “Vejo o Pádel como um entretenimento, uma diversão, uma competição e uma boa sensação de liberdade que é experimentada entre quatro paredes”, define brilhantemente Marta Bretanha.

REGRAS OFICIAIS
JANEIRO DE 2002
1. A QUADRA
1.1. A área de jogo trata-se de um retângulo de 10 metros de largura por 20 metros de comprimento.
1.2. Este retângulo será dividido na sua metade por uma rede, formando em cada lado um quadrado de 10 x 10 metros, campo pertencente a uma das duplas durante o jogo.
1.3. De cada lado deste quadrado será demarcada, à 7 metros da rede e paralela a esta, uma linha denominada “ linha da área de saque”.
1.4. Desta linha até a rede está compreendida a “área de recepção de saque” que será dividida ao meio por uma linha perpendicular até a rede, denominada “linha central”.
1.4.1. Este traçado divide a “área de recepção de saque” em dois retângulos de 5 x 7 metros (“área de recepção de saque direita e esquerda”).
1.5. Entre a “linha da área de saque” e o fundo da quadra está a “área de saque”. Dividida ao meio pela linha imaginária contígua a “linha central” forma mais dois retângulos de 3 x 5 metros (“área de saque direita e esquerda”).
1.6. A quadra será cercada em sua totalidade. Nos fundos por paredes de 3 metros de altura, complementadas por tela metálica de 1 metro de altura. Nas laterais por paredes e telas metálicas em variações aceitas pela FIP.
1.7. As paredes, as telas e os postes de sustentação (de formato circular para evitar acidentes) serão construídos/fixados no limite externo da área de jogo.
1.8. A expressão “paredes” diz respeito a estruturas em alvenaria, vidro ou outro material que não modifique a essência do jogo.
1.9. As linhas demarcatórias serão pintadas/fixadas ao solo em cores contrastantes com a cor predominante do piso. Terão 0,05 metros (5 cm.) de largura e serão colocadas na parte interna da área que demarcam.
1.10. Nas quadras cobertas a altura, livre de qualquer obstáculo, existente entre o teto e o piso da quadra não poderá ser inferior a 6 metros.
1.11. A rede será sustentada por um cabo de, no máximo, 0,01 metros (1 cm) de diâmetro, terá o,88 metros (88 cm) de altura na parte central, elevando-se até a altura de 0,92 metros (92 cm) nas suas extremidades, onde será fixada nos postes de sustentação.
1.12. A medida da abertura (lado ou diagonais) da trama da telas metálicas e da rede deverá estar compreendida entre 0,045 metros (4,5 cm.) e 0,057 metros (5,7 cm.).
1.13. As quadras não poderão ter portas de abrir e fechar, devendo ter apenas um vão de 0,90 metros (90 cm) de largura por 1,90 metros (190 cm.) de altura para cada lado do poste de sustentação da rede.

2. A BOLA
2.1. A bola é específica para prática do Pádel, ou a mesma utilizada no jogo de tênis.
2.2. A COBRAPA poderá vir a declarar uma ou mais marcas de bolas como oficiais para a prática do Pádel no País.

3. A RAQUETE
3.1. A raquete será de material que apresente superfície plana e sem rugosidade exagerada.
3.2. Deverá ter as medidas máximas de 0,455 metros (45,5 cm.) de cumprimento e 0,26 metros (26 cm.) de largura e 0,050m (50mm) de espessura.
3.3. Será portadora de um cordão de segurança, de uso obrigatório.
3.4. Não poderá ser pintada com tintas ou técnicas que, sob a ação da luz do sol ou de refletores, venham a ofuscar os olhos dos adversários.

4. INÍCIO DO JOGO
4.1. A partida é disputada sempre por 04 (quatro) jogadores, dois contra dois, caracterizando o Pádel como um jogo de duplas.
4.2. A escolha do lado da quadra em que a dupla começará jogando e o direito de iniciar sacando serão decididos por sorteio. O ganhador decidirá entre sacar ou escolher o lado que começará jogando.
4.3. Ao iniciar cada “set” a dupla decidirá qual o jogador que começará sacando e, dali em diante, o farão alternadamente.
4.4. Também ao início de cada “set” a dupla decidirá quem começa recebendo o saque, não podendo alterar esta posição até o final do mesmo “set”.
4.5. Antes do início de cada jogo os participantes terão direito a 5 minutos de aquecimento, dentro da quadra.
4.6. O início do jogo começa com o saque.

5. O SAQUE OU SERVIÇO
5.1. O saque consiste em o jogador, da sua “área de saque” (direita ou esquerda), lançar a bola por cima da rede na “área de recepção de saque” (direita ou esquerda) do adversário localizada na sua diagonal.
5.2. A rotina “Saque” implica na execução de uma segunda tentativa caso o sacador tenha desperdiçado a primeira.
5.3. O sacador terá o direito de repetir, tanto o primeiro serviço quanto o segundo, sempre que a bola tocar na rede (“net”) e cair dentro da “área de recepção de saque” do adversário, desde que o segundo pique não bata na tela lateral ou na “quina” da parede. 5.4. A ocorrência do “let” (repetição do ponto) garante ao sacador o direito de nova rotina de “Saque”.
5.5. No momento em que o sacador bater na bola, ou da sua tentativa frustrada, o saque será considerado como efetuado.
5.6. O sacador, durante o serviço, deverá manter-se dentro da sua “área de saque” não podendo pisar, ultrapassar ou picar a bola fora do seu limite.
5.7. Ao sacar, o jogador não poderá andar ou correr.
5.8. No momento do saque o jogador deverá bater na bola em altura abaixo da sua cintura e ter pelo menos um dos pés em contato com o piso.
5.9. O saque deverá ser realizado sob a concordância tácita do recebedor. Caso este não esteja preparado e não esboce nenhuma resposta, o sacador deverá efetuar novo saque, ainda que seu serviço tenha sido incorreto.
5.10. O recebedor deverá esperar a bola picar dentro da “área de recepção de saque” para depois responder.
5.11. A bola sacada que bater no recebedor ou seu parceiro sem tocar no piso será considerada ponto para o sacador.
5.12. O saque não poderá ser respondido pelo parceiro do recebedor.
5.13. Quando um ou mais saques forem executados com o sacador situado no lado errado da “área de saque” deve-se validar os pontos jogados e imediatamente corrigir o erro.
5.14. Quando um jogador sacar na vez de outro deve-se validar os pontos jogados e imediatamente corrigir o erro.
5.14.1. Se o erro for percebido no primeiro saque, este ponto não será validado.
5.14.2. Se o erro for percebido após o encerramento do “game” deverá ser observada a nova ordem de saque.
5.15. Quando durante o jogo a ordem de recepção for alterada, esta deverá ser mantida até o final do “game” e o erro corrigido somente a partir do “game” seguinte.
5.16. Durante o saque, o parceiro do sacador deverá manter posicionamento que permita o recebedor observar o percurso da bola.

6. DURANTE O JOGO
6.1. A bola deverá ser lançada sobre a rede para o campo adversário, onde não poderá picar mais de uma vez no piso.
6.2. O jogador poderá rebater a bola sem que esta pique no seu piso (exceto a oriunda do saque).
6.3. O jogador poderá rebater a bola que, após picar no seu piso, vier a bater em uma ou mais paredes e/ou telas metálicas do seu campo.
6.4. O jogador poderá devolver a bola para o campo do adversário com a utilização das paredes desde que, após este recurso, a bola não toque no seu campo e nem nas telas metálicas.
6.5. O jogador poderá bater a bola no piso do campo adversário fazendo com que ela saia dos limites da área de jogo.
6.5.1. Os jogadores estão autorizados a sair da quadra e devolver esta bola enquanto não ocorrer o seu segundo pique.
6.5.2. A bola (praticada no item 6.5.) que volta ao campo de jogo depois de bater em algum objeto alheio a quadra (árvore, arquibancada, etc.) não poderá ser respondida.
6.6. O jogador poderá bater a bola no piso do campo adversário fazendo com que ela, após impactar nas paredes e/ou telas metálicas, retorne ao seu campo.
6.6.1. O adversário, na forma do item 6.3., poderá rebater esta bola.
6.7. O jogador não poderá saltar por cima da rede e nem lançar a raquete em busca da bola.
6.8. O jogador não poderá devolver a bola antes que esta tenha ultrapassado a rede (invasão) , exceto quando a bola vier do seu campo.
6.9. Será permitido ao jogador, na continuidade da batida da bola, efetuada no limite da sua quadra, invadir o espaço adversário.
6.10. O jogador ou a dupla não poderá bater na bola duas vezes seguidas.
6.11. A bola que for conduzida ou empurrada, num tempo maior de contato com a raquete do que o toque comum, será válida desde não ocorra dois ou mais toques distintos da bola na raquete.
6.12. Se o jogador, sua raquete ou qualquer objeto que leve consigo, tocar na rede ou em alguma parte do campo adversário, aí incluídos a tela metálica e seus postes de sustentação, perderá o “ponto”.
6.12.1. O poste de sustentação da rede é considerado parte integrante desta.
6.13. O jogador perde o “ponto” se a bola tocar em qualquer parte do seu corpo ou em qualquer objeto que leve consigo.
6.13.1. A mão que empunha a raquete é parte do corpo.
6.14. O jogador não poderá realizar ação deliberada ou involuntária, fora da normalidade, que atrapalhe o adversário. Esta ocorrência, quando assim entendida pelo árbitro, acarretará perda de “ponto” para o faltoso.
6.15. Quando ocorrer situação onde ações ou objetos, alheios ao jogo, interferirem na atenção do jogador, o “ponto” em disputa será repetido (Exemplo mais comum: bola advinda de outra quadra).
6.16. A bola que bate sobre a linha ou em parte desta, será considerada caída sobre a área que esta linha delimita.
6.17. A bola que bate sobre o ângulo formado pela parede o piso é válida.
6.18. O jogador deverá cuidar para que objetos alheios ao jogo (outra bola, bonés, etc.) não fiquem no seu campo pois perderá o “ponto” se a bola bater nestes objetos.
6.19. A bola impulsionada para o campo do adversário que, após bater no piso deste, passar para fora da área de jogo por defeito da tela metálica ou, ainda, se ficar presa a esta, será “ponto” de quem a arremessou.
6.20. As duplas deverão trocar de campo sempre que a soma dos “games” for número impar.
6.21. Durante uma partida serão admitidos os seguintes intervalos máximos:
6.21.1.Entre “pontos” – 25 segundos
6.21.2.Entre “games” quando houver troca de campo – 1 minuto e 30 segundos.
6.21.3.Entre “sets” – 1 minuto e trinta segundos.
6.21.4.Por lesão do jogador (uma única vez) – 3 minutos.
6.21.5.Para atendimento médico no intervalo do “set” (uma única vez) – 4min.

7. A PONTUAÇÃO
7.1. Cada disputa durante o jogo, iniciada com o saque e terminada com o erro de alguma das duplas, receberá o nome de “ponto”.
7.2. O primeiro “ponto” obtido por cada dupla será contado como “quinze”, o segundo como “trinta”, o terceiro “quarenta” e o quarto como “game”.
7.3. A dupla que primeiro fizer quatro “pontos” terá vencido o “game”, desde que o faça com diferença de dois “pontos” sobre o adversário.
7.4. Se houver empate em “quarenta” a pontuação recebe o nome de “iguais” . O ponto seguinte “vantagem a favor” ou “vantagem contra”, sob a ótica do sacador. A seguir, dependendo de quem vencer o “ponto”, a contagem volta para “iguais” ou declara-se “game”.
7.5. A dupla que primeiro somar seis “games”, desde que o faça também com diferença de dois “games”, terá vencido um “set”.
7.6. No caso de as duplas chegarem empatadas em seis “games” o desempate será decidido na modalidade de “tie-break” .
7.7. Nas competições oficiais as partidas deverão ser disputadas em melhor de três “sets”.
7.8. Admite-se sistema de contagem onde a partida será disputada em único “set” de nove “games”, mantida a necessidade da diferença de dois “games” sobre o perdedor. Nesse caso, o empate em oito “games” leva a decisão para o “tie-break”.

8. O TIE-BREAK
8.1. Consiste num sistema de desempate onde ganha a dupla que primeiro chegar a sete “pontos”, observada a diferença de dois sobre o adversário.
8.2. No “tie-break” o primeiro ponto obtido pela dupla denomina-se “um”, o segundo “dois” e assim sucessivamente.
8.3. Começa a sacar o jogador a que corresponda a vez, do lado direito da sua “área de saque” e executando uma rotina de saque. Concluído o “ponto” passa a sacar o jogador adversário (da vez), executando duas rotinas de saque, sendo a primeira do lado esquerdo da sua “área de saque”. Na continuação passa a sacar o adversário, da mesma forma, e assim sucessivamente.
8.4. As duplas deverão trocar de campo a cada seis “pontos” jogados, sem direito a intervalo/descanso.
8.5. Ao vencedor do desempate será apontado o resultado de 7 x 6 (“games”).
8.6. No “set” seguinte iniciará sacando a dupla que começou recebendo o saque no “tie-break”.
8.7. Admite-se sistema de desempate onde o “tie-break” , disputado em 11 “pontos”, sempre com a diferença de dois sobre o perdedor, substitui o terceiro “set”. Nesse caso ao vencedor será apontado o resultado de 2 x 1 (“sets”).